
Team Manager: Fred | Piloto: Diogo

Briefing

Zona de Assistência

Inicio da especial com @Pol Torresmos P3
🧭 ❓Porque é que faz sentido levar uma maxi trail para uma prova Enduro?
Em primeiro lugar, porque é um desafio diferente. A FMP criou este novo troféu/classe integrado no Campeonato Nacional de Mini Enduro, com um total de 5 provas ao longo de 2026. Sendo eu um curioso e alguém que gosta de se desafiar, pensei que podia ser interessante participar numa ideia destas. E foi. A título de curiosidade, é uma categoria de classe única para motos de dois ou mais cilindros, com uma cilindrada superior a 400cc e um peso mínimo de 165kg.
O desafio de ter uma moto que faz “tudo” é exatamente este. Nunca será perfeita para nada, embora, no meu caso, sinta que esteja apta para tudo. Ok, se calhar o CNE de Enduro é o limite máximo do “possível” com estas motos. Sim, é altamente provável. Mas, além de ser possível, é ainda possível tirar partido, desfrutar e acabar o dia de sorriso na cara, com mais uma experiência inesquecível.
🧭 ❓O que é realmente uma prova do CNE Enduro?
Tendo uma base conhecida como Zona de Assistência, é o lugar onde a equipa de apoio/logística/família pode estar e ajudar. É aqui que se inicia cada volta.
Cada volta é composta por:
Especial cronometrada de Crosstest + ligação + especial de Enduro Test + ligação até à ZA.
Embora exista um tempo total sem penalização para cumprir — neste caso, 1:05h entre a entrada na primeira especial e a chegada da última ligação — os tempos classificativos são apenas os das especiais. (Esta parte só “compreendi, assumi, whatever...” depois de terminar a prova. Sempre a aprender!)
Numa especial de Crosstest, os desafios são mais “simples”. Tem mais a ver com intensidade e tentar ser rápido. Não havia nada particularmente complicado para uma “moto grande”, mas a falta de agilidade fazia-se sentir em algumas zonas mais fechadas. É o que é.
Já na especial de Enduro Test, aí sim, os obstáculos e elementos naturais tornam-se mais desafiantes e obrigam a uma gestão técnica mais acentuada. Ainda assim, tudo transponível. A comissão da FMP que levou em diante esta primeira edição esteve sempre presente, próxima, a “sentir” o que estava a acontecer e a aprender com o terreno e com o que sentiam os pilotos das motos grandes.
Convém não esquecer que existe uma diversidade grande na competitividade e experiência dos pilotos. E, querendo algo abrangente, tem de ser algo exequível para a maioria.
A gestão de tempos é fundamental.
Andei sempre na casa dos 40/45 minutos por volta, quando o máximo eram 1:05h. A diferença era o tempo que sobrava para sentar, respirar, comer, trocar óculos e luvas, beber água… e voltar a sair sem penalizações.



🧭 ❓Qual é o maior choque para quem nunca fez?
Numa fase inicial, perceber a lógica da prova e como tudo funciona.
Mas o maior choque é o terreno. Interpretar o que temos pela frente. A primeira volta (não cronometrada nas especiais) serve exatamente para isso — mas já com pressão de tempo.
É aqui que começa a superação:
obstáculos + gestão física + gestão mental.
O ritmo cardíaco dispara, especialmente com calor. Nas zonas mais lentas, a temperatura sobe muito. A fadiga acumula-se — a cada obstáculo, a cada especial, a cada volta.
A gestão do erro consome imenso. A tensão é constante, sobretudo nas primeiras voltas.
E depois há ainda aquele choque final: “achas que andas bem… até entrares num contexto destes.” O ambiente coloca-te rapidamente no teu lugar.
🧭 ❓Onde é que uma maxi trail sofre mais?
Depende da moto, claro. No meu caso, a KTM 790 Adventure R tem particularidades que são excelentes em certos contextos e problemáticas noutros.
Ponto crítico: proteção de cárter/depósito — em vários obstáculos a moto “batia” ou ficava presa. Igualmente, as peseiras e até o selector / pedal de travão.
As motos presentes dividiam-se entre:
- KTM 790
- CF Moto 450
- Yamaha Ténéré 700 (a maioria - 7)
Todas têm prós e contras.
Dificuldades principais:
- Curvas lentas (especialmente colocar a roda dianteira por dentro)
- Condução maioritariamente em pé (mais estilo rally-raid do que enduro)
- Obstáculos de pedra mais técnicos
- Transpôr de zonas de pedra / rocha, muros semi-destruídos
Enquanto as motos mais leves “voam” nestas circunstânicas, estas sofrem mais um pouco.
E ainda quando a moto cai… sofre tudo:
- a moto
- o piloto
- o calor dispara muito nestas circunstâncias
Em termos de quedas. na verdade, não caí nenhuma vez. Mas a moto caiu:
- 2ª volta (Enduro Test)
- 3ª volta (Enduro Test)
- 4ª volta (Crosstest)
Erros meus, sobretudo de leitura e do que tinha por baixo das rodas. Faz parte.
O que têm em estas motos todas em comum:
👉 peso + largura
Quando falhas tecnicamente, estas motos cobram muito mais.

Pequenos danos na proteção de cárter / depósito

Um dos muros a transpôr na diagonal.
🧭 ❓E onde surpreende mais?
Estabilidade impressionante. Tração muito eficaz. A eletrónica, especialmente controlo de tração, permite uma gestão incrível em zonas sinuosas e, sobretudo, em subidas. Ainda, permite ajustar as preferências on the fly podendo ajustar tranquilamente o melhor a cada momento.
E surpreende no essencial:
👉 conseguir terminar com:
- pequenos riscos nas proteções de cárter
- pedal de travão com ligeiro empeno
- riscos leves na ponteira de escape
Nada mais.
Pelo facto de ser tudo mais controlado e lento, acredito que haja menos risco de danos graves do que numa Baja ou prova de Rally-raid.
Claro que o risco existe sempre, mas com alguma cautela é perfeitamente possível fazer uma prova interessante sem danos relevantes.
🧭 ❓Qual a preparação realmente necessária?
Pouca ou nenhuma, além do que uma moto já tem de equipamento para quem activamente anda em passeios ou aventuras off-road.
A minha moto está praticamente stock, com:
- GPS (não utilizado)
- proteções Touratech (mãos, motor, depósito) que foram ESSENCIAIS!
- torre de navegação - irrelevante, neste caso.
- rodas Excel - irrelevante, neste caso.
👉 O essencial aqui é a proteção. Tudo o resto é secundário.
🧭 ❓Equipamento e setup — o que fez diferença?
Pneus:
- Pirelli Scorpion Rally Race (frente)
- Dunlop 908RR (trás)
Podia ter usado 908RR à frente — talvez melhor neste contexto mas estava indisponível no momento de instalar.
Pneus mais enduristas? Sim, fariam sentido. Erro assumido, mas dentro de um next step para as próximas corridas.
Suspensão:
Ajustada com o Fred para comportamento mais leve e solto, otimizado para baixa velocidade. De forma resumida, quis uma moto mais solta, com mais efeito yo-yo que pagava um pouco na gestão em momentos de maior velocidade mas que no geral, foi perfeito.
Resultado:
- melhor nas zonas técnicas
- menos estável nas rápidas (efeito yo-yo)
Amortecedor de direção: mesma lógica.
🔥Destaque absoluto
Proteção de cárter Touratech
Levou dezenas de impactos — alguns bastante violentos — e a moto ficou imaculada.
👉 Qualidade real faz mesmo diferença.
🧭 ❓E os erros mais evidentes?
Vários. Faz parte. Divido-os em várias dimensões:
❌ Preparação |
❌ Condução |
❌ Estratégia |
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Muito leve. Fomos praticamente “ver o que dava”. Até o carro ficou cheio de pó. |
👉 Este último foi crítico. |
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🧭 ❓E, por fim… vale a pena?
Sim. Muito.
Grande desafio.
Fisicamente exigente.
Mas terminar… é uma sensação incrível.
Melhorar a cada volta é viciante.
Aprendizagem constante.
Saída total da zona de conforto.
👉 Fica o bichinho de voltar.
🔚 Nem todos precisam de competir para viver algo semelhante.
Mas todos podem beneficiar de perceber melhor:
- a sua moto
- o seu nível
- a sua tomada de decisão
Isto aplica-se a tudo:
- prova
- viagem
- passeio
👉 A evolução vem da soma de todas estas experiências.
Obrigado pelo leres até ao fim, um abraço. Diogo
Video completo da especial de Crosstest + ligação até Endurotest
Video completo da especial de Endurotest + ligação até ZA

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